Texto retirado do site “Futebol acima de tudo” que evoca o “Caso Paula” que teve origem no programa Os Donos da Bola da Sic.

Faz hoje 10 anos(NOTA: em 2007) ganhou notoriedade pública. Recorde-se que este teve como origem uma reportagem da SIC emitida no programa Os Donos da Bola, a 2 de Maio de 1997, com base em depoimentos de intervenientes directos e indirectos dos acontecimentos da noite em que, alegadamente, no hotel Atlantic Garden, onde a selecção estagiava para o decisivo Portugal – República da Irlanda, da fase de qualificação para o Euro-2006 (a partida foi disputada em 2005), teria ocorrido uma orgia envolvendo diversos jogadores e várias prostitutas brasileiras.
Nessa reportagem, uma prostituta brasileira, Angélica Cristina Ribeiro, apresentada com o nome fictício de Paula, relatou como é que vários jogadores se envolveram num autêntico bacanal com ela e outras colegas, que culminou em cenas de pancadaria. A exibição do programa foi na altura recorde de audiências (um milhão e duzentas mil pessoas) e levantou um enorme celeuma a nível nacional. Em pleno directo, estalou o verniz nos estúdios da SIC, com muita confusão envolvendo Pôncio Monteiro (chegou a chamar “parvo” ao chefe do departamento de Futebol do Benfica na altura, Gaspar Ramos), então comentador no programa, Jorge Schnitzer, editor de desporto do canal e Avelino Ferreira Torres, convidado naquela edição.

O programa baseou-se no depoimento dos intervenientes daquela noite. Uma das prostitutas, a já citada “Paula”, descreveu em pormenor algumas das peripécias, desde o consumo de haxixe por parte dos jogadores até agressões físicas a algumas das prostitutas. Ela própria se assumiu como uma das vítimas, alegando ter sido obrigada a receber tratamento hospitalar. E não se coibiu de denunciar os nomes dos diversos intervenientes, desde o seleccionador nacional na altura, António Oliveira, acusado de ter “apadrinhado a operação”, até aos jogadores Secretário, Fernando Couto e Vítor Baía, passando pelo adjunto de Oliveira, Joaquim Teixeira, que teria “recrutado” as prostitutas num conhecido clube nocturno da capital.

Na sequência das declarações efectuadas no programa, resultaram vários processos em tribunal. Secretário, vítima de humilhação pública com insinuações de natureza sexual no mínimo pouco abonatórias por parte de “Paula” avançou com uma queixa-crime contra a SIC. Joaquim Teixeira reclamou uma indemnização elevada, argumentando ter sido ofendido na sua dignidade e bom-nome, bem como ter sido vítima de prejuízos de natureza material, psicológica, familiar e profissional. António Oliveira também moveu um processo judicial contra a estação de Carnaxide, que seria julgado em 2000. Oliveira exigiu na altura 500 mil euros de indemnização mas o tribunal acabou por condenar a estação a uma pena simbólica de 25 mil euros. O impacto da reportagem foi tal que nem o Presidente da República à data dos factos, Jorge Sampaio, passou à margem deste caso, ordenando uma investigação profunda.

O “Caso Paula” esteve ainda na origem de declarações caricatas do médico do Porto, José Carlos Esteves. Na sequência do internamento de António Oliveira (teve um problema cardíaco que foi atribuído ao stress causado pela reportagem), o médico azul e branco soltou esta pérola. “Assistimos pela primeira vez na História do Homem a uma tentativa de homicídio por meios audiovisuais, quase concretizada”.

http://futebolacimadetudo.blogspot.com/2007/05/grandes-estrias-o-caso-paula.html

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